DK uma notícia, Adilson!

04/08/2009

Produtos orgânicos

okologi_sideVocê alguma vez já comeu cenoura, beterraba ou tomates cultivados numa horta doméstica? Percebeu que elas tinham gosto de “cenoura”, de “beterraba” e de “tomate”?!? Esta pergunta pode parecer estranha a primeira vista, mas só quem já experimentou tais produtos, cultivados com adubos orgânicos e sem o uso de pesticidas, sabe do que estou falando… os produtos “comuns” nos supermercados brasileiros parecem isopor, quando não possuem acentuado gosto de hormônios e pesticidas!

Os produtos orgânicos são muito comuns aqui na Dinamarca: podem ser encontrados com facilidade em qualquer supermercado. Em Dinamarquês, são chamados de økologisk (ou ecológicos). Nos supermercados maiores e mais sofisticados, há prateileiras inteiras, nos diversos setores, só com orgânicos.  Na Alemanha, vi supermercados específicos que só vendem produtos orgânicos!!!

Exemplos de produtos orgânicos do mercado dinamarquês (massa para pão e leite).

Exemplos de produtos orgânicos do mercado dinamarquês (massa para pão e leite).

O valor dos produtos orgânicos aqui é geralmente um pouco maior, mas numa sociedade de alto poder aquisitivo e consciente, prefere-se pagar um pouco mais e ter a garantia de produtos que na sua cadeia produtiva seguem os seguintes princípios:

  • O solo é considerado uma organismo vivo e deve ser revolvido o mínimo possível;
  • Uso de adubos orgânicos de baixa solubilidade;
  • Controle com medidas preventivas e produtos naturais;
  • O mato (ervas daninhas) faz parte do sistema. Pode ser usado como cobertura de solo e abrigo de insetos;
  • O controle de ervas daninhas é preventivo: manual e mecânico (roçadas);
  • Teor de nitrato na planta é baixo;
  • Os efeitos no meio ambientes são positivos: preservação do solo e das fontes de água.

“Para os adeptos do movimento orgânico, um mundo cada vez mais automatizado e dependente da tecnologia não exclui a viabilidade de uma produção sustentável, que respeite o solo, o ar, as matrizes energéticas e principalmente o ser humano.”

Crescimento na vendas de produtos orgânicos na Dinamarca: 1/3 a mais em 2007, quando comparado com 2006. Leite, queijos e ovos são os produtos mais populares.

Crescimento na vendas de produtos orgânicos na Dinamarca: 1/3 a mais em 2007, quando comparado com 2006. Leite, queijos e ovos são os produtos mais populares. Fonte: http://fremtidenslandbrug.dk/?p=35

10 motivos para consumir produtos orgânicos:

1. Proteger as futuras gerações;
2. Prevenir a erosão do solo;
3. Proteger a qualidade da água;
4. Rejeitar alimentos com agrotóxicos;
5. Melhorar a saúde dos agricultores;
6. Aumentar a renda dos agricultores;
7. Apoiar os pequenos agricultores;
8. Prevenir gastos futuros;
9. Promover a biodiversidade;
10. Descobrir sabores naturais.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agricultura_org%C3%A2nica

Massas frescas, outro exemplo de produto orgânico dinamarquês.

Massas frescas, outro exemplo de produto orgânico dinamarquês.

Ah, um detalhe importante! O que diferencia um produto orgânico de seus “irmãos” não é o teor nutritivo, que é praticamente idêntico, mas o respeito no cultivo aos recursos empregados (solo, água, ser humano etc) e a ausência de hormônios e pesticidas nocivos ao ser humano adicionados.

Outro fator importante é sempre lavar muito bem os alimentos, mesmo os orgânicos, pois embora os verdadeiros não possuem pesticidas em suas cascas e folhas, em geral empregam-se adubos orgânicos (fezes de animais curtidas, compostagem etc) na sua producão e isto faz com que possam ter larvas ou ovos de diversos organismos nas suas cascas ou folhas e por isso devem ser bem lavados e desinfetados antes do consumo.

♣ Uma cartilha muito interessante foi desenvolvida pelo governo brasileiro e pode ser acessada aqui.

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22/07/2009

Cheese cake “a la dinamarquesa”

hindbærRecentemente estive em Munique na Alemanha e pude degustar uma deliciosa cheese cake (torta de queijo) típica dos EUA numa loja da Starbucks.  De volta à Dinamarca, atravessando o parque que fica no caminho entre minha casa e a universidade, eis que me deparo com uma moita de framboesas (em Dinamarquês, hindbær) selvagens prontas para serem consumidas.

Elas me lembraram então uma cobertura de cheese cake e após ler algumas receitas aqui na internet e verificar que não disponho de todos os ingredientes aqui (claro que os dinamarqueses tem seu próprio cheese cake, mas estou com preguiça de traduzir a lista de ingredientes), resolvi criar minha própria receita, usando produtos típicos na Dinamarca (daí o nome a la dinamarquesa do título), cujo resultado está nas fotos a seguir.

Foto da cheese cake e ao lado outra fruta silvestre comum aqui (não foi usada no cheese cake).

Foto da cheese cake e ao lado outra fruta silvestre comum aqui (não foi usada no cheese cake).

Ingredientes (as quantias dependem da quantia pretendida):

  1. Bolacha maria (Familie Marie);
  2. Musli (mysli);
  3. Achocolatado líquido (usei um matilde);
  4. Margarina ou óleo;
  5. Queijo cottage (Hytteost);
  6. Ovo (Æg);
  7. Açúcar (Sukker);
  8. Fermento em pó (Bagepulver);
  9. Açúcar de Baunilha em pó (Vanillesukker);
  10. Canela (Kanel);
  11. Framboesas (usei silvestres)
Resultado do meu cheese cake "a la dinamarquesa"

Resultado do meu cheese cake "a la dinamarquesa"

Massa-base:

Em uma vasilha grande coloque as bolachas e quebre-as em pedaços pequenos. Misture com o musli, a margarina (ou o óleo), um ovo, um pouquinho de fermento e de baunilha. Use o achocolatado na quantia suficiente para formar uma massa mais dura do que mole. Coloque a massa numa forma untada e com as mãos abra-a, cobrindo todo o fundo e até subir um pouquinho nas laterais, formando uma “cratera de vulcão” onde irá colocar o creme.

Creme:

Misture, com o auxílio de uma batedeira, 2 ovos, queijo cottage, açúcar, fermento em pó, açúcar de baunilha, canela e um pouquinho de farinha de trigo.

Cobertura:

Cheese cake com cobertura de framboesa silvestre.

Cheese cake com cobertura de framboesa silvestre.

Faça uma calda de cerejas com açúcar, engrossada com um pouquinho de farinha de trigo.

Despeje o creme na “cratera do vulcão” (hehehehehehe) e leve para assar em forno médio. Quando estiver assado, despeje a cobertura e bom apetite. 🙂

Agora, julho, é o mês das frutas e flores aqui na Dinamarca, principalmente as frutas silvestres (morangos, cerejas, blackberries, framboesas, e outras que não sei o nome). Tenho visto também nos jardins pés de maçã e de pêra.

Mato florido, em frente à estação de Nærum.

Mato florido, em frente à estação de Nærum.

26/06/2009

Pão de queijo mineiro na terra dos vikings?!?

Um casal (ele dinamarquês, ela tcheca) aqui da DTU tem amigos no Brasil e foram passar uma semana de férias no Rio e em São Paulo em marco p.p. Após voltarem, falaram que tinham provado o irresistível pão de queijo servido no café da manhã do hotel no Rio  e tinham gostado muito… claro que disse a eles que o pão de queijo em Minas Gerais É O MELHOR do Brasil e aí caí numa cilada, pois então eles pediram uma receita, já que moro em Uberlândia (apesar de ser goiano, cabe esclarecer bem este ponto!!!).

A parte mais difícil para fazer pão de queijo aqui é encontrar polvilho (“manioc starch”) e queijo minas meia-cura!!! O polvilho pode-se tentar substituir pelo de batata (o que vou experimentar em breve), mas e o queijo minas, ainda meia-cura??? Os queijos dinamarqueses são todos muito moles para pão de queijo (tipo queijo prato no Brasil, que aliás dizem que foi criado por dinamarqueses que migraram para o sul de Minas, uma adaptacão do queijo Danbo, muito comum aqui… mas este é uma outra estória). A solucão deste complexo problema, pelo menos no que concerne ao queijo minas, na minha opinião, é misturar um pouco de mossarela ralada com baixo teor de gordura (facilmente encontrável aqui) com um pouco de parmesão ralado. A mossarela entra com o volume e a liga e o parmesão com o sabor e cheiro acentuados!

Pão de queijo mineiro (receita para gringo!)

Pão de queijo mineiro (receita para gringo!)

Todo este exercício logístico porque minhas lombrigas são analfabetas e burras e não sabem (ou fazem de conta que…) que não estou mais no Brasil e aqui não tem pão de queijo!!!!

Ah! Surfando na net encontrei este site que vende pão de queijo e pastel de carne congelados (despacha para toda a Dinamarca, a partir de Århus): http://pastelhuset.com/br/book.html

Uma (quase) alternativa ao pão de queijo é este biscoitinho rápido de queijo e kümmel que está no blogue do Ericson:
http://ericsonsantos.blogspot.com/2009/05/biscoitinhos-rapidos-de-queijo.html

Segue abaixo a receita então do genuíno pão de queijo mineiro traduzida livremente por mim ao Inglês… talvez possa ser útil para alguém compartilhar com outros nativos da Dinamarca ou de qualquer outro lugar que entenda Inglês e que um dia tenha provado e gostado deste petisco das terras mineiras…

(more…)

22/06/2009

Frutas, verduras e legumes na Dinamarca

Eu cresci e morei até os 16 anos numa fazenda no interior de Goiás, no município de Itarumã. Lá consumiam-se (e ainda consomem-se) muitas frutas e verduras, aquelas frequinhas e nutridas com adubo orgânico. Acho que foi por isto que adquiri o (saudável) gosto por frutas, verduras e legumes.

Além disto, como sou vegetariano tento incluir no meu cardápio uma boa variedade de  frutas, verduras e legumes (além de fontes de proteína, como leguminosas, castanhas, nozes, ovos, leite e cereais integrais), pois eles são fundamentais para um aporte de nutrientes adequado, incluindo vitaminas, sais minerais, anti-oxidantes, acúcares etc.

Aqui na Dinamarca praticamente todas as frutas e verduras são importadas. Isto ajuda a explicar o preço “salgado” delas. O preço médio de uma banana do tipo nanica, de média a grande, é R$ 1,00 (já convertido)! As mais comuns vêm da América Central e do Sul. Já vi uvas da África do Sul, pêras da Argentina, maçãs do Brasil etc.

Beterraba, só em conserva!

Beterraba, só em conserva!

As verduras/legumes mais comuns e mais baratos aqui são: tomate, alface (tipo cabeça fechada), cenoura, pepino (estilo japonês aí no Brasil, só que maior), pimentão (verde, vermelho e amarelo – os sabores são bem mais suaves, em comparação aos equivalentes brasileiros), cogumelo champignon (cogumelo é verdura?), brócolis (só encontrei aqui o tipo japonês, que aliás eu gosto mais!), repolho verde e roxo (ambos tem folhas bem duras), batata inglesa e rabanete. Outras opções, mais caras, incluem: abobrinha, aspargos, espinafre, aipo, salsão e outros tubérculos que não sei o nome. Cebola e alho são comuns também! Um detalhe: beterraba só se encontra em conserva, como a da foto, e é muito gostosa.

Nas lojas orientais (chinesas e tailandesas) e árabes (turcas e paquistanesas) que ficam atrás da estação central de trem de Copenhague é possível achar banana de fritar, mandioca, farinha de mandioca (comprei e não gostei, pois ela quase não é torrada e tem um gosto de massa crua de mandioca), vários tipos de feijões (que nos supermercados quase só tem em lata, já cozido), lentilhas, ervilhas, grão de bico etc. Arroz é fácil de encontrar em qualquer supermercado, tanto do tipo parboilizado, quanto do tipo oriental que quando cozido fica “unidos venceremos” (bom para fazer sopa ou risoto). Mas prepare o bolso, pois o quilo não sei menos de 4 reais!

As frutas mais comuns e mais baratas são: laranja (bem diferente das brasileiras e muito saborosas), ameixa, pêra, kiwi, maçã (de vários tipos) e morango. Abacaxi e melancia, só compro quando estão em promoção! O abacaxi é o tipo ananás e a melancia geralmente é do tipo sem semente (as uvas também). Esta melancia da foto comprei ontem na promoção, por 15 coroas (uns 5 reais), sendo que o preço normal dela é em torno de 50 coroas (uns 20 reais). Ah! O abacaxi vem com uma etiqueta, igual a que vem nas roupas, ensinando a descascá-lo!!! Acho que até hoje os dinamarqueses ainda o consideram uma fruta muito exótica! 🙂

Exemplo de melancia, abacaxi e laranja.

Exemplo de melancia, abacaxi e laranja.

Há também as frutas típicas da Europa, como mirtilo (“blueberry”),  cereja, framboesa etc, mas aqui elas são bem carinhas!

A variedade de frutas, verduras e legumes, no geral, é muito menor do que no Brasil. Por exemplo, enquanto lá se encontram facilmente vários tipos de abobrinha, aqui só vi um tipo até agora. O mesmo vale para o pepino, laranja, abacaxi etc. Em contraposição, a qualidade é muito superior.

Lugares para se comprar frutas e verduras (veja outras dicas interessantes e endereços web no blogue do Ericson):

  1. Supermercados populares: Netto, Aldi, Fakta, Super Brugsen – a variedade é pequena e a qualidade é aceitável/razoável, em geral superior aos equivalentes produtos brasileiros; é onde se encontra o menor preço;
  2. Supermercados mais sofisticados: Føtex, Irma, Super Best – a qualidade geralmente é de muito boa a excepcional, os preços são mais altos e há uma boa variedade;
  3. Quiosques (ou Kiosk): há aqueles com foco em frutas e verduras (como o da foto), com bancas expostas nas calçadas, geralmente a qualidade é muito boa e os preços são equivalentes aos dos supermercados tipo 2; há também os quiosques tipo mercearia, bem pequenos, que geralmente abrem todos os dias (os supermercados tem horário de funcionamento bem reduzido e não abrem aos domingos, exceto o primeiro de cada mês);
Exemplo de um quiosque de frutas e verduras.

Exemplo de um quiosque de frutas e verduras.

Todo supermercado faz promoção toda semana (incluindo todos os produtos) e a diferença de preço é enorme, quando o produto está em promoção! Vale a pena passar pelas páginas na web dos supermercados e olhar os artigos em promoção (ou passar numa loja e pegar o livrinho).

Pague com dinheiro; cartões de crédito, geralmente só com chip e a maioria dos estabelecimentos só aceitam o Dankort, um cartão de crédito da Dinamarca. Alguns estabelecimentos cobram taxa extra por usar cartão, então sempre é bom perguntar antes.

Há uma boa oferta de produtos orgânicos também, porém são mais caros, aliás, bem mais caros!!! São chamados aqui de “ecológicos”, e vão de frutas, verduras, legumes a farinha de trigo, de centeio, aveia, sopas, geléias etc.

16/03/2009

Dinamarca: visto e CPR

Filed under: Vida na Dinamarca — Adilson J. de Assis @ 18:27
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Na Dinamarca, independente de quem vai pagar seu salário, você deve solicitar um visto de trabalho e moradia, mesmo que seja o governo brasileiro que irá custear sua estadia aqui, como é o meu caso. Caso o visto seja concedido, ele dá direito ao uso dos serviços que são regularmente oferecidos aos cidadãos dinamarqueses, como sistema gratuito de saúde, através de um número pessoal de identificação, ou CPR. Sem este número você não pode abrir conta bancária, nem comprar celular ou chip etc. Ou seja, é quase impossível viver ilegalmente aqui!

O caminho para obter o CPR é o seguinte: após o Serviço de Imigração enviar para a embaixada da Noruega no Brasil (que cuida dos vistos para a Dinamarca) a permissão de trabalho e moradia, deve-se ir pessoalmente ao escritório dese serviço em Copenhague (uma numa delegacia de polícia, para quem mora fora da grande Copenhague), após a chegada aqui, a fim de ter o passaporte carimbado. Em seguida, deve-se procurar a prefeitura (ou comuna) responsável pela área na qual você irá morar a fim de fazer o registro como cidadão e em seguida receber o CPR pelo correio. Por exemplo, apesar de trabalhar em Lyngby, eu moro em Nærum e tive que ir registrar em Holte, cidade responsável pela região onde Nærum se localiza.

Para o carimbo no passaporte, não se esqueça de levar foto de passaporte, no padrão dinamarquês. Para o registro na comuna, deve-se levar o contrato de aluguel.

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