DK uma notícia, Adilson!

31/03/2009

Copenhague e os meios de transporte

Filed under: Uncategorized — Adilson J. de Assis @ 21:23

Copenhague é uma cidade muito bonita. Sua arquitetura é uma mistura dos estilos nórdico (que utiliza muito construcões com tijolo vermelho à vista e telhados esverdeados) e clássico, ao gosto francês. É uma cidade bastante ativa culturalmente falando (www.ctw.dk).

Veja várias fotos da cidade aqui.

O centrão da cidade tem ruas estreitas e curvas, muitas exclusivas para pedestres e a mais longa da Europa (e dizem que a mais antiga também). Tal qual Paris, possui também o “quartier latin”, ou o bairro “latino”.

Há muitas áreas verdes e em todos os lugares há vias para bicicletas, uma mania nacional. Há até semáforos exclusivos para bicicletas! Em todas as estações há dezenas e até mesmo centenas delas, já que a maior parte das pessoas usa a bicicleta para ir até o ponto do metrô, ônibus ou trem. Estima-se que hoje 36% dos habitantes usem a bicleta como meio de transporte e o planejamento é que suba para 50% até 2015! O relevo quase plano ajuda muito. Do lado de fora dos escritórios, empresas etc, idem (veja terceira foto).

Há muitas adaptacões também nas bikes, além das clássicas cestinhas para objetos. Uma muito comum é um reboque, na forma de uma pequena cabana, para carregar crianças, totalmente protegidas do frio. As vezes ficam na frente da bike, e já vi até para duas criancas simultaneamente!

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Prioridade no trânsito (igualzinho no Brasil!):

  1. Pedestre (basta por o pé na rua e todos os carros páram);
  2. Bicicletas (vai seguir reto e o carro tá dando seta para virar no seu rumo? não se preocupe, pois ele vai parar e lhe esperar passar);
  3. Carros e ônibus;

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Olha só que maneira mais romântica de levar a esposa para jantar (pelo menos é o que está escrito na página original):

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Vagão do trem no qual pode levar bike (sinalizado e bem visível):

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Estacionamento para bike perto das estacões e “sinaleiro” para bike: spaceballspaceball1

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Outra coisa que chama a atencão é o grande número de bikes abandonadas pela cidade e redondeza. Algumas, já bem enferrujadas. Outras, de tanto tempo, já levaram o banco, as vezes uma roda, mas a carcaça continua lá.

O tipo de tranca mais comum é apenas uma trava no pneu. Raras são as trancas que prendem a bike em algo (no suporte ou num poste, por exemplo). Ou seja, qualquer pessoa que queira levar a “sua bike” basta carregá-la, ou empurrá-la usando somente o pneu da frente, já que a tranca é no pneu de trás. Talvez alguém até se dê ao trabalho de levar uma bike cara, mas as comuns, ninguém leva. As mais velhonas, nem trancadas ficam, em geral.

Para andar de bike a noite é obrigatório o uso de sinalizador pisca-pisca ou de farol. Para virar, em qualquer horário, deve-se “dar seta”, como os carros, só que usando o braço!!! E todos fazem isto, exceto eu quando esqueço!

A cidade é dividida em várias zonas (95 no total) relativa à tarifação no transporte público. As zonas 1 e 2 cobrem a maior parte do centro histórico e custa 21 coroas dinamarquesas (Kr. ou DKK). Quanto mais zonas incluir no bilhete, mais longe pode-se ir, por até 2 horas. Para baratear o custo da passagem pode-se comprar um cartão com 10 passagens (sai quase pela metade) ou um cartão mensal, livre de número de utilizacões. No meu caso, morando em Nærum, cidade ao norte mas dentro da grande Copenhague, comprei um cartão de 30 dias para ir ao centro quantas vezes quizesse. Ele é válido nas zonas 01, 02, 30, 41 e 51. Custa 720,00 Kr. (~ 313,00 reais) e posso utilizar ônibus, trem ou metrõ nestas zonas, quantas vezes quiser, no período de validade. O cartão é individual e intransferível, com foto e tudo:

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Nos ônibus não há cobrador. Ou compra-se o ticket antes (nas estações, quiosques, bancas de jornais etc) e valida ele na entrada do ônibus, ou paga-se direto ao motorista. Quem possui o cartão mensal deve mostrá-lo ao motorista ao entrar no ônibus. Nos trens e metrô o controle é feito de forma aleatória por fiscais. Se uma pessoa for pega sem cartão de transporte ou ticket válido, paga uma multa de 720,00 Kr. (a depender da reincidência acho que há outras penalidades). Há também tickets de 24 h, para criancas e CPH card, um cartão turístico. Detalhes aqui.

Veja fotos dos diversos sistema de transporte aqui.

O metrô é automatizado; isto significa que não há motorista ou condutor nele: tudo controlado por computador. No site deles diz-se que foi considerado o melhor do mundo!!! Mas não parece ser exagero… veja parte dele neste vídeo que fiz com a cam:

Há ainda os ônibus aquáticos, barcos na verdade, que ligam alguns pontos separados por canais, já que na cidade há muitos deles.

Embora haja muitas opções de tranporte, o sistema é facílimo de usar, já que em todos os pontos há informacões detalhadas de qual linha passa por ali, de onde vem, para onde vai, qual zona você está e as zonas que as linhas percorrerão (na forma de mapas). Há também a tabela com os horários, que são seguidos a risca; atrasos de 30 s dão reclamacões!!!

Há também um site muitíssimo útil, o http://www.rejseplanen.dk/ (com opcão em Inglês no pé da página), no qual pode-se planejar com detalhes a viagem: seleciona o lugar de partida, de chegada, se é só ida ou ida e volta e a hora de saída ou de chegada. O site fornece então o tempo da viagem, qual trasporte deve ser pego e onde, o preço que deve ser pago pela viagem, mapa do trajeto e ainda com a opcão se ser enviado para o celular via SMS!

Outra coisa interessante é a sincronicidade nas estacões para evitar que as pessoas percam tempo esperando. Para vir de Copenhague para Nærum posso pegar a linha B do trem (S-tog) e parar em Jægersborg; lá pego um trem pequeno que vai até a estação de Næerum. Quando o trem B chega, após 3 min, sai o outro. Isto vale mais para os fins de semana, quando a linha B opera de 20 em 20 min. Durante a semana, quando a linha B é mais frequente, as vezes deve-se esperar uns 10 min.

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6 Comentários »

  1. Oi Adilson,

    Como está a vida na Dinamarca? Parece que está gostando bastante. Também, apesar dos preços serem um pouco salgados, a vida acaba se tornando bem mais fácil, pois não precisamos depender de outras pessoas como aqui no Brasil. Vi as fotos que você tirou: a cidade parece ser bem bonita, e o campus universitário, sem comentários. Quantas calorias com chocolates e guloseimas hein? Melhor guardar um pouco para os amigos, hehe. Esse negócio das bikes dá pra tirar o maior proveito hein? Principalmente porque você disse que a cidade é plana. Será que é possível fazer umas trilhas por aí? Não vai ter cachoeiras mas deve dar pra fazer um mountain bike super legal. Chocolate na mochila pra dar energia, água no cantil e voilà, subir a montanha, hehe.

    Bom, é isso. Bom proveito na sua estadia. A gente se fala.

    Grande Abraço!

    Comentário por Cícero Naves de Ávila Neto — 02/04/2009 @ 15:42 | Responder

  2. Quanta bicicletaaaaaaa!!! E olha que nos conhecemos graças a uma bike ne!!!! Bem me lembro o dia que vc estava tentando montar uma bike aqui no predio!!!!
    Invejável esse sistema de transporte dinamarquês ne!!!!
    Abraço e continue escrevendo mais!!!

    Comentário por Valeria Lugon — 04/04/2009 @ 7:31 | Responder

  3. Oi, Adilson!

    Friorenta igual eu sou, será que sobreviveria por aí?!? Lembra que comentei com você que 25 graus de temperatura para mim já é começo de frio? (brbrbr).
    Fiquei surpresa com o preço das coisas. Realmente é um bom lugar pra se fazer dieta. E ainda tem as bicicletas, pra manter o corpinho com tudo em cima (hehehe).
    Idéia genial essa do blog. Assim, podemos conhecer um pouco de Copenhague e saber notícias de vocês. Bom demais!!!
    Abraços.
    Lina

    Comentário por Lina — 06/04/2009 @ 0:47 | Responder

  4. Olá,

    Eu de novo e com toda a minha curiosidade, com tantas bikes sendo usadas, imagino que a população não deve ser obesa como no Brasil e Inglaterra, correto?
    E a história das free city bikes, procede? Existe de fato zonas delimitadas para bikes? Como se faz quando se mora fora dessa zona?
    Veja o link: http://www.bycyklen.dk/english/thecitybikezone.aspx

    []s,

    Luís Cláudio

    Comentário por Luís Cláudio — 17/04/2009 @ 23:43 | Responder

  5. Luís, é verdade! Eu pensava antes de chegar aqui que a população seria obesa, devido ao alto padrão de vida, aos biscoitos amanteigados, à batata etc. Mas me enganei completamente!!! É incrivel como os dinamarqueses estão em forma; claro que há obesos, mas em muito menor quantidade do que no Brasil… são principalmente idosos e não nórdicos (quase todos os árabes, turcos etc são mais obesos). E acho que isto se deve ao estilo de vida deles: quase 40% da população usa a bicicleta como meio de transporte; todos os dias, independente do clima, vê-se muitas, muitas mesmo, pessoas correndo pelos parques, ruas etc.; a alimentação deles é pouco gordurosa e os doces são bem “insonsos” para nossos padrões; o consumo de refrigerantes não é alto; os dinamarqueses não são workaholics definitivamente e prezam muito uma boa qualidade de vida, sem deixar de lado os exercícios físicos; e por aí vai…o consumo de carne é moderado – devido ao preço – e as que tenho visto não tem gordura; o restante dos alimentos – leite, yogurte, queijos,etc sempre vem nos rótulos o teor de gordura, geralmente baixo, para nós seria “light”; nos supermercados mais sofisticados, quase a metade dos produtos é orgânica!!!… neste aspecto temos que aprender muito com eles!

    Comentário por Adilson J. de Assis — 18/04/2009 @ 17:50 | Responder

  6. Com relação às free bikes (citybike), é verdade sim! mas só podem ser usadas no centrão histórico de Copenhague, o que não é pouco! Para destravar a bike, basta depositar uma moeda de 20 coroas (~ 8 reais), que é devolvida quando a bike é retornada… estas bikes free tem um modelo/estilo/design bem específico. Esta zona a que vc se referiu no link eh a zona que pode usar as bikes free… fora dela (e dentro tbm.), daí só as bikes pessoais, convencionais, que não tem restrição de uso… aliás, o país inteiro (e as cidades em particular) é cortado por ciclovias… há as nacionais (numeradas de 1 a 11), as regionais (numeradas até 100) e as locais (acima de 100). Eu, por exemplo, quando vou para Copenhague, pego a ciclovia no. 9, que liga Copenhague a Helsingor, no norte do país. As ciclovias são bem sinalizadas, possuem excelente estado de conservação e algumas possuem iluminação noturna.

    Comentário por Adilson J. de Assis — 18/04/2009 @ 18:04 | Responder


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